domingo, 3 de maio de 2009

Suicídio por amor


Já não tenho forças para descrever nesta carta o que sinto, álias, em todas as outras eu já descrevi e creio eu que repetirei tudo novamente se caso escrever mais esta.
Aaaaah! se as pessoas soubessem assim como eu o que é o amor.
Meus dedos já cansados de tanto compor melodias recitando em cada frase a impossibilidade de um amor que não se corrói; isso tudo pra ela nunca ler, e estão ali todas elas guardadas em minha gaveta.
Hoje, depois de 27 anos já estou envelhecendo, minhas rugas não escondem que não são apenas de velhice, que as mesmas são da infelicidade constante de nunca mais sentir o ardor do amor.Sim!O amor dela que hoje me lembro.. jamais escutei novamente as frases vindas de seus lábios, aquelas que me guiavam por onde jamais voltei.
Deixei que minhas lágrimas caíssem na minha carta, justo essa.. a última.Deixei que elas molhassem o papel que era branco já preenchido com toda dor de um amor. Hey meu amor, sinta minha presença do seu lado, eu estive todos esses anos aí com você, eu chorei com você, eu ri com você, eu sofri, me alegrei ... tudo com você. Lembra de quando você ia ir embora? Sim, meu amor foi eu quem fez que você ficasse, foi eu quem te abraçou naquela noite de chuva que você chorava sozinha .. eu não estava pedindo nada em troca,eu só queria te ver.
Você se enganou, você achou que seria lindo, achou que seria para sempre!Eu ... eu não achava nada! mas foi lindo,foi para sempre. Só não foi recíproco.
Já não tenho palavras para esta minha última carta, embora o amor que sinto se renove a cada instante.
Sei que estou de partida,já não há motivos para continuar tentando viver, ou até mesmo para encontrar sentido em toda minha volta. Você me mostrou toda a felicidade, e eu, sonhava em te mostrar todo o amor, todo o meu mundo de sonhos, e você se negou, se recuo tendo medo de me amar,tendo medo de chorar.
Que esses comprimidos me levem para bem longe daqui, para um lugar onde eu não seje julgada por amar da maneira que amo, pra qualquer lugar que não veja você ir e me deixar, que eu não a veja amar uma outra pessoa.Meu amor!Eu nunca tive medo, exceto quando você disse que me amava também, porque se eu te perdesse naquele momento seria por não ter dito coragem de te levar embora, não ter tido coragem de roubar todos os seus medos/Me perdoe por isso meu amor.
Me perdoe por te amar assim, me perdoe por não deixar de amá-la quando você me pediu que à esquecesse, me perdoe por não conseguir te perdoar aquela noite, juro amoor .. doeu mais em mim.
Sobre as promessas que deixei de cumprir,não releve este equívoco minha garota,nem mesmo a loucura de gritar na frente de todas aquelas pessoas que eu te amo, eu sei que você não gostou,sei também que me odiou
Perdoe-me! Por chegar aqui escrever essa carta e colocá-la com este título, o título do meu último suspiro.

domingo, 19 de abril de 2009

De que modo a liberdade nos condena?



Jean - Paul Sartre : “O homem está condenado a ser livre”.

Como entender essa afirmação?
Entende-se que não há certezas e nem modelos que possam servir de referência, cabe ao homem inventar o próprio homem e jamais esquecer-se que é de sua responsabilidade o resultado de sua invenção.
o tema: “ser livre” traz ao homem a angústia relacionada a responsabilidade da liberdade. É a angústia o sentimento de casa homem diante do peso de sua responsabilidade, por não ser apenas por si mesmo, mas por todas as consequências das escolhas feitas.
Com a angústia há outro sentimento também da liberdade: o desamparo.
O desamparo se dá pelo fato de o homem saber-se só.É por isso que Sartre diz que “(...) o homem está condenado a ser livre”.Pois não há nenhuma certeza, não há nenhuma segurança e tudo o que fizer é de sua restrita responsabilidade.De fato o homem, sem apoio e sem ajuda, está condenado a “(...) inventar o homem a cada instante”.

O existencialismo


Uma das diferenças entre o humanismo apregoado pelo existencialismo está no fato de que há uma universalidade humana que é uma construção do próprio homem, contrária a afirmação de uma essência humana já que mesma entende-se como algo dado, pronto e sempre o mesmo.

Segundo Sartre, “(...) dizer que nós inventamos os valores não significa outra coisa senão que a vida não tem sentido a priori. Antes de alguém viver, a vida, em sim mesma, não é nada; é quem a vive que deve dar-lhe um sentido; e o valor nada mais é do que esse sentido escolhido.Por constatar-se, assim,que é possível criar uma comunidade humana.

Por não haver valores estabelecidos, o homem pode inventa-los, e, ao fazê-lo, atribui sentido a própria vida. O humanismo do qual fala o existencialismo é o que permite que os homens por meio da invenção de valores criem a comunidade humana.Deve-se destacar o fato de que não há um modelo ou meta pré-determinada, mas se dá por meio da própria ação dos homens.É com essa preocupação que Sartre afirma:
(...) não podemos admitir que um homem possa julgar o homem.O existencialismo dispensa-o de todo e qualquer juízo desse tipo: o existencialismo não colocará nunca o homem como meta, pois ele está sempre por fazer. E não devemos acreditar que existe uma humanidade à qual possamos nos devotar, tal como fez Auguste Comte. O culto da humanidade conduz a um humanismo fechado sobre si mesmo, como o de Comte, e , temos de admiti-lo, ao fascismo.Este é um humanismo que recusamos. (Sartre 1987)

Nossa estéril ansiedade


Emoções que agora aquecem meu peito inflamado? As palavras são fracas demais para descrever meu amor, e se, por desgraça, não sentires dentro de ti a mesma chama, em vão me esforçarei por transmitir-te a sua justa concepção.Mas cada uma de tuas palavras, cada um de teus gestos basta para tirar-me esta dúvida, e ao mesmo tempo que exprimem tua paixão servem também para incendiar a minha.Como é amável esta solidão, este silêncio, esta escuridão!Nenhum objeto vem importunar a alma arrebatada.O pensamento, os sentidos, tudo está inteiramente cheio de nossa mútua felicidade, que se apodera inteiramente do espírito e produz uma satisfação que a iludidos mortais procuram em vão nos outros prazeres.
Mas por que teu peito estremece com esses suspiros, e tuas luminosas faces de lágrimas são banhadas?Por que distrair teu coração com tão vã ansiedade?Por que tantas vezes me perguntas quanto tempo meu amor vai durar ? Desgraçadamente, meu amor, não sei responder a essa pergunta. Acaso sei quanto tempo minha vida ainda vai durar? Mas também isto pertuba teu terno coração? Acaso a imagem de nossa frágil mortalidade te está constantemente presente, para desanimar horas mais felizes e envenenar mesmo as alegrias que o amor inspira?