domingo, 19 de abril de 2009

De que modo a liberdade nos condena?



Jean - Paul Sartre : “O homem está condenado a ser livre”.

Como entender essa afirmação?
Entende-se que não há certezas e nem modelos que possam servir de referência, cabe ao homem inventar o próprio homem e jamais esquecer-se que é de sua responsabilidade o resultado de sua invenção.
o tema: “ser livre” traz ao homem a angústia relacionada a responsabilidade da liberdade. É a angústia o sentimento de casa homem diante do peso de sua responsabilidade, por não ser apenas por si mesmo, mas por todas as consequências das escolhas feitas.
Com a angústia há outro sentimento também da liberdade: o desamparo.
O desamparo se dá pelo fato de o homem saber-se só.É por isso que Sartre diz que “(...) o homem está condenado a ser livre”.Pois não há nenhuma certeza, não há nenhuma segurança e tudo o que fizer é de sua restrita responsabilidade.De fato o homem, sem apoio e sem ajuda, está condenado a “(...) inventar o homem a cada instante”.

O existencialismo


Uma das diferenças entre o humanismo apregoado pelo existencialismo está no fato de que há uma universalidade humana que é uma construção do próprio homem, contrária a afirmação de uma essência humana já que mesma entende-se como algo dado, pronto e sempre o mesmo.

Segundo Sartre, “(...) dizer que nós inventamos os valores não significa outra coisa senão que a vida não tem sentido a priori. Antes de alguém viver, a vida, em sim mesma, não é nada; é quem a vive que deve dar-lhe um sentido; e o valor nada mais é do que esse sentido escolhido.Por constatar-se, assim,que é possível criar uma comunidade humana.

Por não haver valores estabelecidos, o homem pode inventa-los, e, ao fazê-lo, atribui sentido a própria vida. O humanismo do qual fala o existencialismo é o que permite que os homens por meio da invenção de valores criem a comunidade humana.Deve-se destacar o fato de que não há um modelo ou meta pré-determinada, mas se dá por meio da própria ação dos homens.É com essa preocupação que Sartre afirma:
(...) não podemos admitir que um homem possa julgar o homem.O existencialismo dispensa-o de todo e qualquer juízo desse tipo: o existencialismo não colocará nunca o homem como meta, pois ele está sempre por fazer. E não devemos acreditar que existe uma humanidade à qual possamos nos devotar, tal como fez Auguste Comte. O culto da humanidade conduz a um humanismo fechado sobre si mesmo, como o de Comte, e , temos de admiti-lo, ao fascismo.Este é um humanismo que recusamos. (Sartre 1987)

Nossa estéril ansiedade


Emoções que agora aquecem meu peito inflamado? As palavras são fracas demais para descrever meu amor, e se, por desgraça, não sentires dentro de ti a mesma chama, em vão me esforçarei por transmitir-te a sua justa concepção.Mas cada uma de tuas palavras, cada um de teus gestos basta para tirar-me esta dúvida, e ao mesmo tempo que exprimem tua paixão servem também para incendiar a minha.Como é amável esta solidão, este silêncio, esta escuridão!Nenhum objeto vem importunar a alma arrebatada.O pensamento, os sentidos, tudo está inteiramente cheio de nossa mútua felicidade, que se apodera inteiramente do espírito e produz uma satisfação que a iludidos mortais procuram em vão nos outros prazeres.
Mas por que teu peito estremece com esses suspiros, e tuas luminosas faces de lágrimas são banhadas?Por que distrair teu coração com tão vã ansiedade?Por que tantas vezes me perguntas quanto tempo meu amor vai durar ? Desgraçadamente, meu amor, não sei responder a essa pergunta. Acaso sei quanto tempo minha vida ainda vai durar? Mas também isto pertuba teu terno coração? Acaso a imagem de nossa frágil mortalidade te está constantemente presente, para desanimar horas mais felizes e envenenar mesmo as alegrias que o amor inspira?